
A tendinite da pata de ganso, também conhecida no meio médico como tendinite anserina, é uma condição inflamatória que afeta a inserção conjunta de três tendões na região interna da tíbia, logo abaixo do joelho: o sartório, o grácil e o semitendíneo. Essas estruturas trabalham em sinergia para permitir a flexão da perna e atuar como importantes estabilizadores articulares contra forças rotacionais.
O sintoma mais marcante é a dor pontual na face interna e inferior do joelho, frequentemente acompanhada por uma leve sensação de queimação e sensibilidade acentuada ao toque. O incômodo tende a piorar ao subir e descer escadas, ao levantar-se da cadeira após longos períodos sentado ou durante a execução de treinos de corrida e caminhadas prolongadas.
Essa patologia surge predominantemente pelo atrito mecânico excessivo e pela sobrecarga repetitiva entre os tendões e a bursa que os protege. Alterações biomecânicas como o desalinhamento dos joelhos em valgo (joelhos voltados para dentro), excesso de peso corporal, encurtamento da musculatura posterior da coxa e calçados inadequados são os principais fatores que aceleram o processo inflamatório.
O diagnóstico preciso é feito pelo ortopedista por meio do exame físico e de exames complementares de imagem, como a ultrassonografia ou a ressonância magnética, essenciais para diferenciar o quadro de lesões no menisco medial. A abordagem inicial concentra-se no controle da dor aguda através de repouso relativo, aplicação regular de crioterapia (gelo) e o uso pontual de medicamentos anti-inflamatórios.
A fisioterapia é a base fundamental para a reabilitação definitiva, focando na reeducação biomecânica e na correção dos desequilíbrios musculares do membro inferior. O protocolo envolve técnicas de liberação miofascial, alongamento das cadeias musculares posteriores e fortalecimento direcionado para o quadríceps e os estabilizadores do quadril, aliviando a tração sobre a área inflamada.
Em quadros crônicos ou de recuperação lenta, recursos avançados da medicina regenerativa como a terapia por ondas de choque e infiltrações guiadas por ultrassom auxiliam na restauração e cicatrização dos tendões afetados. Com o tratamento individualizado e a reabilitação adequada, o paciente recupera o padrão funcional do joelho e retoma suas atividades esportivas com total segurança.